Dois rumos


  Noite de Oscar.Já tem muito tempo que essa noite, e mesmo essa festa, não tem a importância que deveriam. Mas a questão em torno da falta de interesse pelo Oscar, não é tão simples, a ponto de se poder culpar, única e exclusivamente os blockbusters.O Oscar se tornou o maior exemplo da situação de Hollywood hoje: caro(a), luxuosa e...sem graça.   De fato não é fácil estabelecer culpados para isso, mas  talvez o maior deles seja a própria indústria, que permaneceu inerte e adotou posturas conservadoras, quando teve os primeiros sinais de que o mundo, e as formas de se consumir mídia começavam a mudar.Ao invés de abraçar esse novo mundo, e buscar maneiras de torna-lo rentável, trazendo o espectador que então, consumia pirataria para legalidade, talvez oferecendo a este consumidor em potencial, vantagens que a pirataria não lhe poderia oferecer.Hollywood, optou por apenas matar as fontes de conteúdo ilegal, e deixando desamparado essa geração que queria reinventar o consumo de mídia. 
  A indústria dos videogames, também foi vítima da pirataria, e com o advento da internet, poderia ter facilmente acabado como Hollywood, mas soube contornar a situação, oferecendo a opção de jogos multiplayer, que somente funcionam com jogos originais, que se conectam aos servidores das empresas.Uma espécie de algo a mais que fez valer a pena para o jogador, o consumo de games provenientes de fontes lícitas.   A critica cinematográfica, também pode ser apontada como uma das causadoras da atual situação da indústria cinematográfica. Procurando sempre se distanciar, do grande público, e perdendo cada vez mais sua importância. A critica hoje, não trabalha para cria um nova geração de cinéfilos,  mas sim para manter a atual. 
O cinema que se vê,  é sempre mais do mesmo. São raras as ocasiões, em que se tem espaço para um pouco de reflexão,  em meio aos produções multimilionárias. E assim o que se vê é um cinema cada vez mais superficial, um reflexo dos rumos desta indústria. E assim, a indústria como um todo, não se renova. 
Na última edição do Oscar, a falta de espaço para as novas gerações , ficou evidente, quando uma geração de fãs, se despediu de Harry Potter, sem que o filme ganhasse sequer um Oscar. 
 Ao contrário da crítica cinematográfica, a crítica permanece forte na indústria dos games.Talvez pelo preço dos games. Mas crítica, nessa indústria se reinventou com o passar dos anos, deixando de utilizar uma linguagem infatiloíde, e superficial para adotar, uma linguagem coloquial, direta, e que fala diretamente ao consumidor, e leitor que a acompanha.De forma a cativar novos fãs, e agradar aqueles que já acompanham essa mídia de entretenimento.                                                               
  O mundo mudou, Hollywood, e o mundo precisa abrir espaço e aprender com essa nova mídia de entretenimento, e de expressão artística, que é a indústria dos games. 

Veja a versão em vídeo, deste artigo.






Bad Boys


Charlie Harper ­morreu logo no primeiro episódio da nona temporada de Two and a Half Men, por outro lado, logo Charlie Sheen, renasceu na pele do Dr. Charlie Goodson de Anger Management. Após a polêmica envolvendo o ator, e os produtores da série na CBS, Sheen deixa a série, e parte para uma versão mais “profunda”, como o próprio gosta de falar, de seu novo personagem, agora no Fx, canal por assinatura da televisão americana.
Charlie pode até falar, que Anger Managemente é uma versão mais profunda do garanhão de Two and a half men. Porém essa versão mais profunda de Charlie Harper já existe desde o ano de 2007 quando Californication, série que leva o mesmo nome de uma música da banda Red Hot Chili Pepers, estreou na televisão americana. A série acompanha Hank Moody(David Duchovny),um escritor garanhão ,que não escreve, em seus dilemas familiares e profissionais.
Com personagens fortes e bem construídos ao longo das cinco temporadas, a série pode ser vista como uma versão para adultos do que foi Two and and a half men, em suas melhores temporadas.
Embora o foco de Californication, não seja o humor, e sim o drama, a série traz na figura de Charlie Runkle (Evan Handler), melhor amigo, e agente de Hank uma espécie de Side Kick, que em diversos momentos serve como uma saída cômica, seja em seu casamento, com Marcy (Pamela Adlo ) ,ou em suas aventuras sexuais dentro ou fora do casamento.
Ao longo das cinco temporadas vemos o amor, e a idolatria que Hank tem por Karen (Natascha McElhone), sua ex-esposa, a qual em meio a idas e vindas sempre acaba voltando para os braços de Hank, e em muitos momentos por culpa do mesmo, indo para os braços de outros em busca de consolo.
Hank tem com Karen, um filha, Becca (Madeleine Martin) que na primeira temporada tem apenas treze anos, e vai crescendo no decorrer da série, mas desde os primeiros episódios já se mostra, mais madura que seus pais, de forma, que é Becca que acaba cuidando dos mesmos, e é ela também quem mais sofre com as atitudes de seus pais.
Charlie Harper e Hank Moody são dois garanhões que aproveitam a vida ao máximo sem se preocupar com dinheiro. Hank, apesar de pouco escrever, ainda aproveita os frutos de seu grande sucesso, Charlie compõe Jingles publicitários.
Ambos afirmam amar e entender as mulheres, contudo Hank vai ainda mais fundo nesse conceito, e sempre se mostra um cavalheiro, e um grande conselheiro, de apenas um apenas um conselho.
Se Charlie tem problemas com sua mãe, a relação de Hank com seu pai, também não é das melhores.
Com cenas de sexo, e consumo de drogas, o público de Hank, é mais especifico, e maduro que o de Two and and a Half men, em seus melhores dias. Contudo as duas séries se saem incrivelmente bem dentro de seus objetivos, e proporcionam muitas risadas seja com Alan, ou Charlie Runkle.
A sexta temporada de Californication estreia no dia 13 de janeiro na tv americana.
A segunda temporada de Anger Managemente estreia dia 17 de janeiro na tv americana.
A nona temporada de Two and a half men, com Ashton Kutcher está sendo exibida na tv americana.

Daniel Rodrigues

Part of Me (2012) -“Nossa vida é banal, e simples, como a de todo mundo”


Um ser humano como qualquer outro, essa é Katy Perry. Na entrevista de Pedro Cardoso ao programa “Namoral”, o mesmo disse “Nossa vida [de artista]é banal, e simples, como a de todo mundo”, Part of me, novo documentário sobre Katy Perry vem para “provar” essa teoria, já que no filme vemos uma popstar, que atrai milhões de pessoas para seus shows, mas que no fundo é uma pessoa como qualquer outra, que tem problemas sentimentais, uma história de infância estranha, que em nada indica seu futuro.
A mensagem de Katy, “ser diferente é legal”, tem lógica, vende bem, contudo não deixa de ser uma espécie de autoajuda para seus fãs, que aparecem logo no começo do filme explicando como se sentem ao ouvir as músicas da cantora. Apesar da má reputação do gênero, a autoajuda é sempre bem-vinda, independente da forma como apareça, seja na literatura no cinema, ou mesmo na música.
Katy trabalha bem com seu público, em sua passagem pelo País ,para promover o filme chamou a atenção dos jornalistas por sua simpatia. No documentário fica claro que ela sabe o valor de seus fãs, ainda nas primeiras cenas do filme, sua primeira aparição, se dá num depoimento em meio, a uma sequência depoimentos dos fãs, onde ela fala um pouco sobre si e de sua personalidade, descaracterizada, sem utilizar seu típico vestuário multicolorido. Através de cenas como a anteriormente descrita, fica claro o objetivo do documentário, que tem a própria cantora como uma de suas patrocinadoras.
Mas esse é um filme pra fãs, não há espaço para se fazer uma análise cinematográfica do longa, e esse sequer é o objetivo da produção, que em vários momentos traz depoimentos de fãs, das mais variadas idades. Deve-se também considerar que os fãs (na plateia do cinema) vibram a cada música, a cada aparição da cantora.
A história é bem narrada, e apresenta um ponto de vista intimo sobre Katy,  e suas relações com a família, seus primeiros contatos com a música gospel, com a música de artistas como Michael Jackson, seus primeiros contatos com as gravadoras. Tudo acompanhado de vídeos caseiros, entre eles, alguns com Katy ainda bebê, e em outro momento do longa Katy imita a também cantora Avril Lavigne.
Já conhecia a música de Katy: simpática, pouco inovadora, como quase tudo que se vê no mercado agora, mas agradável, e assim como se vê no longa traz letras — escritas por Katy — que descrevem sua própria vida de uma forma muito pessoal.
O momento mais marcante do filme se dá quando nos bastidores do show realizando em São Paulo, Katy desaba em lágrimas após receber uma mensagem do então esposo Russel. Na sequencia faltando apenas poucos segundos para entrar no palco, Katy ainda está chorosa, mas assim que tem inicio a contagem regressiva para que ela entre no palco, vemos Katy tratar de colocar um sorriso, ainda que falso no rosto, e seguir em frente, atendendo aos milhares de fãs do show em São Paulo. E na vida somos, ou devemos ser assim, quando uma adversidade se coloca a nossa frente, não podemos nos deixar abater, mas devemos sempre seguir em frente.
Daniel Rodrigues

Lola (2011) - Um motivo para existir


Famosa por sua participação na série Hanna Montana, Miley Cyrus chega às telas agora num papel mais próximo da realidade, se comparado aos que viveu no universo Disney. Entretanto seu público se mantém o mesmo: adolescentes, que estão descobrindo a vida.
O filme nada mais é do que um remake americano de um filme europeu, o mesmo também aconteceu com “Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres”. Porém , diferentemente do caso de Millennium, onde o filme original já era amplamente conhecido entre os cinéfilos, a versão original de “Lola”, que leva o título de “LOL (Laughing Out Loud)”,é pouco conhecida.
O cinema americano sofre do mesmo mal que o brasileiro: ambos os públicos ­­— exceto os fãs mais assíduos da sétima arte—não gostam das legendas, e assim, cada indústria se adequa a demanda como pode, no Brasil temos as dublagens, nas terras do tio Sam, onde a indústria cinematográfica, já é forte, e está consolidada temos os remakes.
Quanto a versão americana, é difícil encontrar um motivo para dar sentido a sua existência, excetuando-se, saciar a sede dos fãs da cantora Miley Cyrus, que é apenas isso, uma cantora, que faz papéis em filmes, de pouca expressão, diante da critica especializada.
No elenco poucos se salvam, como alguns coadjuvantes e a maravilhosa Demi Moore no papel de mãe da personagem central da trama. Destaque para atuação pouco convincente de Douglas Booth, possuidor de um dos sorrisos mais amarelados do cinema americano.
A direção da versão americana fica a cargo da mesma diretora do filme original, seu nome é Lisa Azuelos, e faz uma ponta no filme original no papel da psicanalista, fora isso seu currículo é bem curto. Na direção da versão americana, faz um trabalho eficiente na condução da história com ângulos câmera interessante e um jogo de tonalidades que ajudam a mergulhar no universo repleto de descobertas dos jovens.
A história é uma típica comédia romântica, um sucesso fácil, quando se trata de bilheteria. Traz piadas com o estilo de vida francês e com a depilação brasileira. E ainda coloca em voga os, dilemas que giram em torno da primeira vez para os adolescentes.
Uma comédia água com açúcar, que certamente dará bons resultados em bilheteria, mas que talvez decepcione os fãs dos musicais Disney no estilo de High School Musical, já que a trilha sonora não tem grande importância na trama, só  aparecendo com mais frequência num segundo momento da história.
De bom, o filme vale pela atuação de Demi Moore, e por sua história água açúcar, que não é de todo ruim, mas não vai além disso.
O filme chega as telas no dia 10 de agosto após vários adiamentos.

Daniel Rodrigues

Você é feliz?

Já tem algum tempo, que mantenho uma página aqui no Cinema & CIA com um poema, Caso do Vestido, de Carlos Drummond de Andrade. Na época a página surgiu como complemento a um artigo sobre um filme, baseado no tal poema. Um filme baseado num poema, pelo fato em si, já se constitui uma situação interessante, marco do pensamento romântico, onde grandes obras musicais eram inspiradas em poemas, pinturas, obras literárias... Enfim, logo naquela época, já achei o filme fascinante, e o poema também.
 Mas hoje, tendo se passado menos de dois anos, tornei a ler o poema; com outra forma de pensar, outra mente, com novas ideias, com mais experiências vividas... E é mesmo incrível, perceber como um mesmo texto, com as mesmas palavras, as mesmas vírgulas, pode se colocar diante de nós de formas tão diferentes, em momentos tão distintos, e ao mesmo tempo complementares de nossas vidas.
Uma experiência, um momento, uma situação, independente da forma como isso acontece, muda as pessoas. E isso acontece todo dia, a cada minuto, somos de fato a metamorfose ambulante, proposta por Raul Seixas. A cada experiência, crescemos como seres humanos que somos.
Em situações como essa é fácil perceber, o por quê de quando perguntamos a uma criança se ela é feliz, ela sem mesmo pensar, responde de súbito que sim. Ao fazer a mesma pergunta a um adulto, já começamos a perceber as diferenças, ele certamente irá pensar, demorará um pouco a responder, por fim, pode até dizer que sim, é feliz, mas qual o motivo dessa incerteza, expressa na demora em responder?
A mente nunca pode se fechar para o mundo, e para a vida, talvez seja aí que reside a certeza da criança em responder que é feliz, ela é curiosa, quer saber o por quê de tudo,  sem precisar da exatidão extrema, que torna a vida tão complexa , quando ela em sua mais pura essência é simples e agradável. Se a vida for tida como difícil, ela não será fácil, mas o oposto também é real.
Para certas perguntas, não devem existir respostas, e é essa inocência que deveria fazer a vida mais simples e feliz.
Daniel Rodrigues




->Caso do Vestido

Redentor(2004) - João Emanuel, além "da Brasil"

“Realidade”, é com certeza um critério questionável ,quando se trata de leva-lo, ou não em conta na apreciação de uma peça artística. No cinema — ah, nossa querida sétima arte —, esse conceito, é ainda mais variável. Temos realidades alucinadas, com lógicas que visam criticar uma característica, ou mesmo uma situação cotidiana, no dia-a-dia da sociedade, um exemplo é o Processo (1962), do esquecido — embora genial — Orson Welles, onde este maravilhoso cineasta, que inclusive deixou marcas em sua passagem pelo Brasil, critica todo o sistema judiciário americano, através de um complexo roteiro e representações caricatas, como a do grande advogado, que tem a seus pés, clientes, e nas mãos inúmeras formas de ludibria-los. 
 No Brasil, o exemplo recente desse abandono racional da realidade é o Redentor (2004),de Cláudio Torres. Onde toda a história gira entorno do personagem de Pedro Cardoso, um jornalista que na infância foi amigo de um dos magnatas do setor imobiliário carioca, e assim levou seus pais a comprarem um apartamento na então terra dos sonhos ,numa época em que a Zona sul carioca já começa a se mostrar supervalorizada e com pouco espaço para novas construções :a Barra da Tijuca. Entretanto a conclusão deste negocio nunca chegará a acontecer, e uma divida eterna irá se estabelecer.
Como uma de suas várias temáticas o filme aborda a ganância, que faz parte da personalidade das pessoas, através de algumas falas do personagem de Miguel Falabella, que nos levam a constatar, que mesmo que uma quantia em dinheiro fosse dividida igualmente as pessoas não se dariam por satisfeitas. Por natureza elas querem sempre mais.
 E é por meio do personagem de Pedro Cardoso, que a produção coloca em voga, uma critica a corrupção, na politica e no jornalismo, um assunto muito atual em tempos de um governo pós-populista, onde o que importa é o voto das massas.
A produção aposta ainda num casamento, brilhantemente realizado entre trilha sonora erudita e popular, empregadas nas cenas de suspense, e no clímax da história, respectivamente.
 O longa metragem, ainda traz a tona uma discussão sobre a religiosidade, num momento em que o roteiro, se transformar numa grande farofa, dada a forma brusca, e imediata como essa virada acontece. Contudo, a brilhante direção de Cláudio Torres, em conjunto com o grandioso elenco que — além dos já citados —,conta com nomes como o de Camila Pitanga, Fernanda Montenegro e Stenio Garcia; ameniza os efeitos dessa virada de roteiro.
A qualidade técnica, das cenas, combinadas com a brilhante mistura musical, colocam o espectador, diante de uma reflexão sobre a vida do personagem central e suas escolhas, e o conduzem ao questionamento quanto à lucidez de Célio Rocha(Pedro Cardoso), de forma profunda e levemente cômica.
Entre os autores, aparece o nome de João Emanuel Carneiro, que atualmente é responsável pela representação televisiva, da nova classe média, vista em Avenida Brasil.

Daniel Rodrigues

A toda prova (2011) - Ação que dá sono

Logo nas primeiras cenas, já se vê um close no rosto, de formato e feições tipicamente masculinas, da atriz e lutadora Gina Carano. “A Toda prova”, deveria apresentar uma mulher fatal, que em meio as mais extremas cenas de ação, ainda se preocupa com o pai, um escritor de livros sobre crimes. Mas não é isso que se vê no roteiro confuso, de Lem Dobbs , numa direção simplória de Steven Sodenbergh, que tenta a todo custo repetir a formula do sucesso encontrada em “11 homens, e 1 segredo”(2004). A própria trilha sonora , em muito se assemelha a de seu antecessor.
A Lutadora Gina Carano, em nenhum momento convence, no papel de mulher fatal. Com cenas de lutas fraquíssimas, as cenas de maior ação se dão quando a personagem de Gina, foge da policia saltando pelos telhados.
Uma direção técnica eficiente, de fato, o filme possuí. Entretanto, não se pode dizer o mesmo da direção artística, que escala grandes atores como Michael Fasbender  — recém saído do ignorado “Shame”—, Michael Douglas e Antônio Bandeiras , para papeis secundários.
Traída pela agência de espionagem, para qual trabalha a personagem de Gina Carano, saírá em busca de respostas, e de vingança. E uma história que , em sua essência, constitui um clássico clichê, do gênero de espionagem.

Parabéns Aguinaldo

Todo mundo diz que o fim das novelas está chegando. Talvez esses numerosos, opinantes tenham razão. Hoje em tempos de globalização, e do assassinato da cultura local, só se fala em séries, músicas de terrível qualidade, que emplacam de uma só vez no mundo todo. Esquecem-se de que é a nossa música, a Bossa Nova e a MPB, é que são admiradas mundo afora.
As novelas podem acabar, mas elas são o melhor retrato do povo brasileiro, pelo menos de uma geração dele. A geração de pessoas que sonhavam que acreditavam que o dia de amanhã seria melhor, quando tudo conspirava contra essa ideia. Bom, esse dia chegou. Cá estamos nós, filhos dessa “pátria amada idolatrada”, em pleno crescimento. Somos hoje aquilo, que os brasileiros que viam as primeiras novelas, ainda na Tupi, sonhavam.
Todo brasileiro, tem aquela novela que não se esquece.  Particularmente a novela da minha vida, é, e sempre será “Senhora do Destino”, roteirizada pelo genial Aguinaldo Silva. Sou do tipo que sonhou, em como seria viver nas estradas desse Brasil, com “Carga Pesada”, seja quando Pedro (Antônio Fagundes) , e Bino (Stenio Garcia),  enfrentaram uma mula sem cabeça, lidaram com uma figura que morria, e acordava no meio do velório.
Talvez tudo isso, tenham contribuído com a ligação, que criei com esses últimos capítulos de  “Fina Estampa”, recheados de referências e citações a grandes obras da teledramaturgia brasileira, produzidas na última década.
Foi maravilhoso ver Renata Sorrah, falando sobre Nazaré Tedesco. Um dos ápices de sua carreira, vilã que agora, o tempo dirá se ganha uma equivalente a altura, dessa vez vivida por Christiane Torloni. Que no papel de Thereza Christina, pelo próprio personagem em sí, já constitui, uma homenagem  a essa vilã tão marcante, que em plena ditadura militar rouba a bebê Lindalva da nordestina recém chegada ao rio, Maria do Carmo, vivida por Suzana Vieira.
As pessoas gostam do que é óbvio, mas é provável que a ideia de um autor, por mais genial que este seja nunca corresponda ao que milhares de brasileiros imaginaram para um personagem, é o caso do Amante de Crô (Marcelo Serrado ,vive Crô). Foi brilhante, a forma como Aguinaldo Silva, deixou claro, que o amante não era quem todos imaginavam, e mesmo assim, não deixou nenhuma pista, de quem o era.
Onde Pereirinha (José Mayer), teria estado, quando todos acreditavam em sua morte? Um dos momentos mais, interessantes deste último capitulo, já que Aguinaldo responde sem responder, e dá margem a imaginação do espectador, com cenas que remontam na mitologia de Atlântida ( indiretamente).
“O futuro é dos jovens”, é com essa afirmação que Aguinaldo, e Lilia Cabral emocionam o espectador numa das cenas mais marcantes deste último capitulo , e que certamente será parada obrigatória, na análise da teledramaturgia brasileira, daqui a alguns anos.
E o que dizer da emblemática cena final, quando Tereza Christina, e o Pereirão se reencontram? Ficaria feliz, em ver o resultado desse encontro daqui a alguns, assim como Aguinaldo fez com o retorno de Irís (Eva Wilma) a Greenville.
Faltou algo? Como fã de “Senhora do destino”, posso dizer que sim: Um encontro entre Maria do Carmo (Suzana Vieira) e Pereirão (Lilia Cabral). Ambas as personagens que se assemelham tanto em suas essências. Uma com origens no sertão do Brasil, e outra vinda da distante terra de nossos colonos. com
Falhas: Toda produção cultural tem, mas nada melhor que um bom roteiro, para fazer que o espectador perdoe essas falhas, estando já tão envolvido  com os personagens, fruto do dom divino, e supremo da criação, que só um artista pode ter.
Daniel Rodrigues (@DanielR_DDRP)

Aparecida - O milagre (2010) -Personagens caricatos

A história é bem simples, porém tem a capacidade de convencer o espectador mais despretensioso. O longa narra a história de um garoto, que perde seu pai, um devoto fiel à Nossa Senhora de Aparecida. O detalhe no trágico evento, é que o garoto havia feito um pedido a santa, e era fiel a mesma — sem entrar no mérito religioso, é estranho, o fato de que o pedido não tinha nenhuma direta com o pai. Em seguida à morte do pai, o que se vê é um menino , revoltado com a Santa declarando ódio a mesma, em plena Basílica de aparecida.                 
O problema está justamente nos personagens, que acabam sendo caricatos, e clichês do cinema, das e mesmo da cultura popular. O mais óbvio é o personagem vivido por Murilo Rosa, numa de suas piores atuações; um milionário — é o garoto que quando criança declarou ódio à santa, agora crescido — que esquece das pessoas ao seu redor e se torna amargo e solitário, em meio a uma família de artistas.
O filme ainda peca, no velho clichê hollywoodiano , de querer explicar , e reexplicar tudo nos mínimos detalhes. Isso fica óbvio quando a cena da morte do pai, e entonação de ódio a santa feita pelo menino, e repetida na lembrança do personagem de Murilo Rosa. Essa técnica teria melhores resultados se aplicada em uma série de tv, ambiente de onde provém a diretora ,Tizuca Yamasaki, que tem em  seu curriculum episódios de séries como “As Brasileiras”, “Você decide”...
A beleza do filme, é justamente o cenário da cidade de Aparecida em São Paulo, é uma pena que a obra tenha uma cara de filme para tv, assim como todas as outras produções para o cinema da diretora, alguns exemplos são “Xuxa em o mistério de feiurinha”, “Xuxa requebra”.
Daniel Rodrigues (@DanielR_DDRP)

Poder sem Limites (2012)- Brincando de documentário

“A Bruxa de Blair”, “[REC]”, “Cloverfield”, “Atividade Paranormal”, “Poder sem Limites”. O que esses filmes têm em comum? O estilo “mockumentary” (falso documentário), no qual assistimos à obra cinematográfica segundo a perspectiva de um dos personagens, que carrega uma câmera e registra tudo ao seu redor, por isso a imagem tremida e os cortes abruptos. Essa técnica foi sendo gradativamente associado ao gênero terror (“A Bruxa de Blair” em 1999 inaugurou essa tendência) com poucas exceções (“Cloverfield em 2008 apostou no filme-catástrofe). “Poder sem Limites” vem para se juntar a esse grupo e marcar suas particularidades: usar um pseudo-documentário num filme de super-herói.
Temos, então, a história de três amigos, Andrew Detmer (Dane DeHaan), Matt Garetty (Alex Russell) e Steve Montgomery (Michael B. Jordan), que certo dia encontram uma cratera no chão, onde no interior descobrem uma esfera luminosa. Depois de tomar contato com esse estranho objeto, eles adquirem poderes telecinéticos (a capacidade de fazer levitar e controlar objetos com o poder da mente). O que a princípio não passava de brincadeira juvenil, foi aos poucos se tornando uma ameaça descontrolada.
Um dos aspectos mais interessantes do desenvolvimento da trama é retratar os adolescentes de forma verossímil e próxima do público. Muitos dos diálogos e situações construídos realmente pertencem ao universo dos personagens, fazendo-nos acreditar que aquele que fala ou acontecimento poderiam acontecer na vida real. Exemplo mais do que claro disso é o fato de os adolescentes utilizarem seus poderes apenas se divertirem, como levantar a saia de garotas, assustar crianças ou fazer piadas com outras pessoas. Isto por sinal torna-se o ponto alto do filme ao combinar comédia e belos efeitos visuais.
Porém, citando o tio Ben de Peter Parker em Homem Aranha: “Todo o poder traz grandes responsabilidades”. O que poderia se resumir apenas a puro entretenimento, sai do controle a partir do momento em que Andrew começa a se aproveitar de sua habilidade para cometer atos violentos. Desde o início, já vemos como o garoto tem uma vida difícil: solitário praticamente com somente um amigo, o primo Matt (vale observar que Steve só se torna seu amigo após o episódio da cratera, quando Andrew não é mais considerado um loser), vítima de bullying na escola e filho de um pai bêbado e violento e de uma mãe doente em estágio terminal. A partir daí, entendemos como seus problemas afetam sua mudança de personalidade, de uma pessoa tímida e retraída para alguém em estado de fúria descontrolada, muito bem elaborada pelo roteiro.
Outro detalhe, que por sinal poderia ter comprometido o longa, importante foi a justificativa encontrada para o uso da câmera o tempo todo. Toda a ideia de Andrew empregar essa tecnologia como uma barreira de proteção diante de um mundo hsotil a ele é crível com o personagem e a realidade em que vivemos. Da metade do filme em diante, a escolha de mostrar a câmera sempre do alto, em função dos poderes telecinéticos dos garotos, revela-se acertada por trazer à tona a importância da imagem para os jovens, seja como auto-afirmação, seja como apreciação de sua suposta superioridade. Em outros instantes não ligados a essas duas questões, a câmera subjetiva é usada sem uma explicação convincente.
Por outro lado, a produção também possui seus pontos, principalmente em termos de direção e construção narrativa. Em certos momentos, esbarramos em diálogos, cenas e personagens desnecessárias (tudo referente a blogueira, por exemplo). Além disso, a cena final tem seus méritos (a força de um desfecho impactante e a opção por variar os enfoques da cena, ora a câmera do personagem, ora a câmera do diretor, ora celulares na rua, ora circuitos de segurança), mas também erra ao termos o diretor Josh Trank num estilo nervoso e confuso que remete aos piores dias de Michael Bay na franquia Transformers.
“Poder sem Limites” ao final mostra-se uma boa diversão. Não é perfeito, mas funciona como filme de ação com toques cômicos e dramáticos e, acima de tudo, indica outras possibilidades ao “mockumentary”.